João Pedro Gomes dos Reis cresceu querendo ser político. Não como carreira. Não como herança. Não como oportunidade. Como vocação. Como a única coisa que sempre fez sentido em cada capítulo da vida.
Mas querer não basta. Ele sabia disso melhor do que ninguém, tinha passado anos vendo de dentro como a política funciona: nas assessorias na ALMG, nas campanhas que coordenou, nos bastidores de sindicatos e partidos que a Communicare atendeu. Aprendeu que candidatura sem estrutura é generosidade sem resultado.
Então esperou. Construiu. Estabilizou. Acumulou experiência.
Em 2026, os fatores estavam alinhados pela primeira vez: estabilidade financeira, experiência eleitoral comprovada, rede de relações construída ao longo de dez anos, saúde mental para enfrentar o que vem, e um partido que o apoiaria.
Mas ainda faltava a decisão. Ela chegou num domingo, 17 de maio de 2026.
João Pedro acordou com a clareza que às vezes só os domingos de manhã trazem. Sem alarme. Sem reunião. Sem agenda. Apenas a certeza.
Havia um aniversário de família à tarde. Chegou antes de todo mundo, como sempre. E ligou para a secretaria-geral do PSB em Minas Gerais, um dos políticos que ele mais respeita e um dos seus melhores amigos.
Disse que conhecia uma pessoa filiada ao PSB que queria ser candidata a Deputado Federal: jovem, com experiência, com certa estrutura, com gana. Perguntou se a chapa já estava fechada e se havia como colocá-la.
A resposta foi que a chapa estava em aberto e que dava para conversar.
João Pedro riu e disse: essa pessoa sou eu.
Silêncio por um instante. Depois veio a resposta: no fundo já se sabia. Sair assim, do nada, sem pré-campanha, era coisa de doido. Ele confirmou que era exatamente isso. E ouviu de volta: então vamos dar um jeito, seu nome na chapa fica comigo.
Ao final daquele domingo, João Pedro havia ligado para uma série de pessoas. Amigos. Ex-colegas. Pessoas que fizeram parte de cada capítulo daquela história. Ao final do dia, havia um grupo mobilizado.
Não havia mais volta. E ele nunca mais olhou para trás.