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João Pedro Reis 4026, Deputado Federal por Minas Gerais
A história

Uma história que começa num beco sem saída em Venda Nova.

João Pedro Gomes dos Reis nasceu às três horas da manhã do dia 14 de novembro de 1997, numa casa sem reboco nas paredes, num beco sem saída no Bairro Lagoa, em Venda Nova, Belo Horizonte. Tudo que veio depois, ele foi construindo.

Leitura: aproximadamente 12 minutos

1997 · Venda Nova, Belo Horizonte

O beco sem saída

João Pedro Gomes dos Reis nasceu às três horas da manhã do dia 14 de novembro de 1997, no Hospital Mater Clínica, em Venda Nova, Belo Horizonte. A mãe adolescente tinha apenas dezesseis anos. Havia chegado do interior de Minas, filha de uma terra pequena e calma, onde o tempo tem uma textura que a capital ainda não conhecia. O pai era agente de bordo de ônibus na Viação Pássaro Verde, e foi numa das paradas, que os dois se conheceram. Foi assim que João Pedro chegou ao mundo: filho de dois jovens que ainda estavam aprendendo o que era a vida adulta enquanto já tinham uma criança nos braços.

A casa ficava na Rua do Triunfo. Um beco sem saída. Era de primeiro andar, com as paredes de tijolo à mostra porque o reboco ainda não havia chegado, com o chão sem cerâmica porque a cerâmica era o próximo passo, e o próximo passo viria com o tempo que ainda faltava. A casa não era pobre no sentido de vazia: era simples no sentido mais honesto da palavra, e havia dentro dela mais cuidado do que em muitos lugares que João Pedro conheceria mais tarde.

O centro de tudo era a avó. Ela era, em termos biológicos, tia-avó, irmã da avó biológica do pai, que havia criado o filho como seu desde pequeno. Para João Pedro, essa distinção nunca existiu. Ela era a avó, e ponto final. Era a aposentadoria dela que garantia o feijão, o arroz, os mantimentos que chegavam todo mês com a regularidade de quem sabe que a casa depende disso. A mãe comprava os finos: fruta, iogurte, biscoito. Era uma equação delicada de sobrevivência que funcionava porque havia cuidado e porque havia amor, e amor é o único combustível que não depende de reabastecimento.

O pai nunca foi muito presente. Quando João Pedro tinha seis anos, o pai foi para Portugal trabalhar como pedreiro. Havia uma promessa: se estabilizar, mandar dinheiro com regularidade, um dia levar a família. A promessa ficou por lá. O dinheiro que chegava era esporádico e insuficiente. A família nunca foi. João Pedro cresceu sabendo que havia um pai do outro lado do oceano, e que esse fato, na prática do dia a dia da Rua do Triunfo, não mudava nada de concreto.

Quase um ano depois de João Pedro, nasceu a primeira irmã. Quase um ano depois, a segunda. Três filhos em três anos, e uma mãe que ainda estava aprendendo a ser mulher enquanto aprendia a ser mãe ao mesmo tempo. A casa se encheu de feminino: a avó, a mãe, as duas irmãs pequenas. E João Pedro no meio, aprendendo sem que ninguém ensinasse explicitamente que cuidar é um verbo que não tem sexo nem idade mínima. Quando a mãe precisava sair, ele ficava com as irmãs. Quando a avó precisava de remédio, ele ia buscar. Quando havia contas a entender, ele entendia. A responsabilidade chegou antes da hora, como costuma chegar para quem não tem outra opção, e João Pedro foi crescendo no ritmo dela.

A infância

O quintal e as mansões

O padrinho morava a poucos passos da Rua do Triunfo, e João Pedro ia até lá quase todos os dias. Era ex-bombeiro militar, aposentado por questões psicológicas depois que um incêndio trágico na Gameleira em 1971 havia deixado dentro dele algo que nenhum tempo e nenhuma aposentadoria conseguiram apagar. Dezessete pessoas morreram naquele dia, e o padrinho carregou o peso de tudo aquilo como quem carrega uma mala que nunca chega a ser despachada de verdade. Para João Pedro, porém, ele era outra coisa: era estabilidade, era presença, era a referência masculina que o pai não havia podido ser.

A casa do padrinho tinha uma ordem que o menino foi absorvendo sem perceber, da mesma forma que se aprende o compasso de uma música antes de saber o nome das notas. Almoçavam às onze horas, jantavam às dezoito, e se João Pedro dormisse lá, às vinte horas já estavam deitados. O padrinho usava sempre camisa social e calça social e chinelo, mas quando precisava ir ao banco trocava o chinelo por um sapato, como se o ato de ir ao banco merecesse um grau a mais de seriedade e compostura. Tinha no pulso um Casio antigo que acendia luz verde e apitava ao meio-dia, anunciando que o dia havia chegado na metade certa. Gostava de moda de viola. Havia uma seriedade gentil naquele homem que o menino aprendeu a amar sem precisar nomear o que sentia.

O quintal da casa do padrinho era o paraíso particular de João Pedro. Tinha pé de goiaba, acerola, algodão, cana, limão-capeta, bananeira e urucum. Ali ele passava horas em aventuras que existiam com a intensidade de coisas completamente reais: cavava a terra brincando de procurar petróleo. Transformava cabos de vassoura velha em lanças para atirar nas bananeiras. Criava armadilhas que nunca pegaram nada mas que tinham toda a seriedade de uma estratégia cuidadosamente elaborada. Inventava mundos que só existiam para ele e que eram completamente reais dentro da lógica daquele quintal com cheiro de terra e sombra de bananeira.

Aos domingos, a família vinha toda: tios, primos, avó, mãe, irmãs. Havia frango assado, tilápia, refrigerante e uma mesa grande próxima ao quintal, e os adultos conversavam enquanto as crianças corriam, e havia aquele cheiro específico de comida misturado com terra úmida que só existe nos domingos que a memória decide guardar para sempre.

Por que uns têm tanto e outros tão pouco? Não era inveja. Era uma incongruência que incomodava como incomoda uma conta que nunca fecha, uma injustiça que o corpo reconhece antes que a cabeça encontre as palavras certas.

Mas havia outro mundo, e João Pedro o conheceu desde cedo porque as tias trabalhavam como empregadas domésticas em casas de famílias ricas e tradicionais de Belo Horizonte, e às vezes o levavam junto. Ali, o mundo mudava de tamanho de um jeito que o menino sentia no corpo antes de entender com a cabeça.

Mansões. Não casas grandes: mansões. Do tipo que equivalem a cem casas como a da Rua do Triunfo, com piscina e dez carros e motorista e governanta e funcionários com funções específicas que João Pedro nunca havia imaginado que pudessem existir. Pessoas que acordavam e tomavam café com calma e malhavam e liam e nadavam e planejavam viagens a casas de veraneio e exposições de arte e conversas longas sobre política e ciência e cultura, com a naturalidade de quem nunca precisou calcular se o dinheiro da semana ia durar até a sexta. Não eram pessoas ruins. Eram simplesmente pessoas que habitavam outro planeta, com sua própria gravidade e sua própria lógica interna, onde as grandes questões podiam ser debatidas porque as questões básicas já estavam todas resolvidas.

Foi numa dessas visitas que João Pedro foi à sua primeira carreata política. Numa Kombi, pela cidade inteira, com um candidato e uma deputada e a cidade desfilando pela janela como um filme que ele ainda não entendia completamente mas que já sabia que era importante. O que ficou daquele dia não foi o desconforto. Foi a percepção de que havia um mundo onde as decisões eram tomadas, onde os nomes eram ditos em voz alta e as agendas eram definidas, e que esse mundo existia em paralelo ao quintal com pé de goiaba.

A pergunta foi chegando devagar, construída por camadas de observação ao longo de anos de infância passados nos dois lados do mesmo mundo. Por que uns têm tanto e outros tão pouco? E a conclusão que também foi chegando devagar, com a paciência de quem ainda é criança e tem tempo para pensar enquanto cava a terra de um quintal: não se trata de tirar de quem tem. Trata-se de dar a quem não tem mais tempo, mais espaço, mais margem para viver além da sobrevivência. O trabalho não deve ser para sobreviver. O trabalho deve ser para viver. Essa ideia, formulada num quintal de Venda Nova por um menino que brincava, é a semente de tudo que veio depois.

2008 · São Miguel do Anta, Zona da Mata de Minas Gerais

O ano que partiu ao meio

Tinha onze anos quando o eixo quebrou. Em 2008, a avó morreu. No mesmo ano, o padrinho também foi embora. Dois pilares que sustentavam a estrutura de tudo desapareceram no mesmo ciclo de tempo, e a família ficou de pé porque não havia outra opção, mas ficou diferente: mais exposta, mais descoberta, num silêncio que não era apenas a ausência das vozes deles, mas também a ausência de tudo que eles representavam como presença, como afeto e como estrutura de sustentação do cotidiano.

A mãe estava de pé. A mãe sempre esteve de pé, e isso João Pedro sabe e carrega com ele. Mas a perda da avó tirou o feijão e o arroz que chegavam garantidos todo mês, e o que sobrou foi a mãe, que tinha pouco mais de vinte anos, três filhos e a vida inteira para resolver com os recursos que havia na época.

São Miguel do Anta, cidade natal da mãe, na Zona da Mata de Minas Gerais.

A família foi para São Miguel do Anta, cidade natal da mãe, na Zona da Mata de Minas Gerais. Uma cidade pequena e calma, de praça no centro, de tempo que tem uma textura diferente daquela da capital, de conhecimento do nome de todo mundo, de conversas que se formam devagar porque não há pressa para nada que não possa esperar um pouco mais.

Ficaram cerca de dois anos. João Pedro estudou na escola da cidade e continuou sendo o aluno que sempre foi: presente, questionador, entre os melhores da turma. Frequentava a biblioteca da cidade para pegar livros para ler. Ia a uma lan house onde ficava horas jogando. A vida social era essencialmente a praça principal e as conversas que se formavam ali, com aquela generosidade de tempo que o interior tem e que a capital raramente oferece. A família materna estava lá: tio, avó materna, tios-avós, primos. Havia uma rede de gente que conhecia o sobrenome e a história.

Lembra de acordar cedo para panhar café com a família: a carroçada de caminhão saindo ainda no escuro da manhã, o campo abrindo lá na frente, os dedos que aprendiam o movimento entre os galhos, a bolsa enchendo devagar, o sol subindo enquanto os sacos se acumulavam. No final, alguns reais por saco panhado. Era uma lição que o corpo aprende diferente da cabeça: a lição do esforço direto, da recompensa proporcional, do cansaço honesto de quem fez algo concreto com as próprias mãos. Esse tipo de aprendizado não sai mais.

De volta a Belo Horizonte, a mãe começou a trabalhar como faxineira nas casas de comerciantes e conhecidos do bairro, um endereço diferente por dia, a mesma dedicação em cada um deles. João Pedro ficava em casa com as irmãs, com dez e nove anos na época. Não foi imposto formalmente: foi acontecendo, como acontecem as responsabilidades que chegam antes do tempo e nos formam antes que a gente perceba que está sendo formado. Ele cuidava das irmãs, buscava a aposentadoria da avó enquanto ela viveu, dava remédio, saía com ela na rua. A maturidade não foi uma escolha deliberada. Foi uma adaptação ao que havia disponível.

Depois a mãe conseguiu um emprego fixo como faxineira numa empresa no Aeroporto da Pampulha. Um salário mínimo e benefícios, o que trouxe uma estabilidade nova e concreta, ainda modesta, mas real. João Pedro às vezes ia passar o dia no aeroporto com ela. Ficava observando os aviões que chegavam e partiam, os pilotos com o uniforme que parecia pertencer a outro mundo, os artistas que cruzavam o saguão com aquela aura de quem é reconhecido, os políticos com suas agendas e seus assessores e seus carros esperando do lado de fora. Por um segundo breve pensou: e se eu fosse piloto? O pensamento passou rápido. O sonho verdadeiro nunca tinha sido esse.

14 anos · Rua 28, Venda Nova

O abaixo-assinado dos quebra-molas

O primeiro emprego veio aos quatorze anos, numa loja da Rua 28 que vendia motos e consórcios de motos. João Pedro era vendedor: cada consórcio ou moto vendida rendia uma comissão. O dono da loja era um homem prático, desses que ensinam as coisas que a escola não inclui no currículo com essa urgência: como falar com uma pessoa de um jeito que ela sinta que está sendo ouvida antes de ser convencida, como criar o vínculo antes de oferecer o produto, como correr atrás do próprio dinheiro sem perder a compostura no processo. João Pedro absorveu tudo aquilo com a velocidade de quem reconhece algo que já estava dentro de si esperando por um nome.

A Rua 28 era movimentada e perigosa. Os carros passavam rápido demais, sem respeitar o ritmo das pessoas e do comércio que dependia daquela via. Era um problema que todo mundo via, todo mundo comentava e que ninguém havia transformado em ação concreta. João Pedro pensou o que as pessoas que vivem ali pensavam, mas foi além do pensamento: organizou um abaixo-assinado. Passou em todos os comércios da rua, explicou o problema com a paciência de quem sabe que precisa convencer antes de poder pedir, coletou as assinaturas uma a uma, juntou tudo e levou à prefeitura. Um tempo depois, os quebra-molas apareceram instalados exatamente onde ele havia pedido.

Ali João Pedro viu de perto o que já sentia de longe: a força de uma coletividade em torno de algo tem o poder de mover o poder público. Não foi um discurso. Foi um abaixo-assinado numa rua de Venda Nova e dois pedaços de asfalto moldado que disseram: aqui alguém se importou o suficiente para agir.

Esse momento ficou gravado em algum lugar mais fundo que a memória comum, no lugar onde as certezas fundamentais se assentam e de onde não saem mais. A partir dali, João Pedro entrou de cabeça no universo da política. E não saiu mais.

No ensino médio, fundou o Grêmio Estudantil da escola. As notas caíram um pouco, mas por uma escolha completamente consciente: havia coisas mais urgentes e mais formadoras para fazer do que decorar fórmulas que o futuro não pediria. Passava o tempo falando com a direção da escola, circulando pelas turmas, participando de atos na Praça Sete, sendo convidado para integrar a Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas da Grande BH. Estava construindo algo real antes de ter qualquer cargo formal. Esse padrão de construir antes de pedir se repetiria ao longo de toda a vida sem que ninguém precisasse lembrá-lo de ser assim.

Calculou que ao completar dezoito anos poderia obter o diploma por equivalência via CESEC e acessar a universidade sem terminar o ensino médio regular. Cumpriu o plano. Fez a prova no CESEC Justinópolis, passou e obteve o diploma. Prestou o ENEM e foi aprovado em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense, em Angra dos Reis. Não tinha como ir. Não havia dinheiro para se manter numa cidade diferente, para o aluguel, para a alimentação, para nada que uma mudança desse porte exigiria. Inscreveu-se então no vestibular da Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte, e escolheu o Direito porque entendia que a formação jurídica lhe daria os instrumentos necessários para ser um bom político. Ficou um ano na Dom Helder. Disputou e venceu a eleição para o Diretório Central dos Estudantes. Depois, com nova nota no ENEM, conseguiu o FIES de 100% no IBMEC e continuou o curso de Direito.

Parou no sexto período. A rotina havia chegado num ponto em que não cabia mais tudo ao mesmo tempo. Acordava às quatro e meia da manhã. Estudava de manhã. Depois ia a pé da faculdade até a Assembleia Legislativa porque não havia dinheiro para a passagem do ônibus. Trabalhava de tarde e à noite. Saía por volta de meia-noite. Chegava em casa por volta de uma hora da manhã. Acordava às quatro e meia. As faltas foram se acumulando até que o FIES foi perdido por ter ultrapassado o limite de ausências permitido pelo programa. O curso ficou inacabado.

É uma situação que João Pedro carrega com transparência e que não tem data para ser resolvida, mas que não apagou nada do que aprendeu dentro e fora das salas de aula.

16 anos · Belo Horizonte

Servir antes de qualquer cargo

Aos dezesseis anos, foi convidado para uma organização juvenil ligada à Maçonaria, no Bairro Bonfim, em Belo Horizonte. Reconhecia que seria importante para o futuro que pretendia construir, mesmo sem ter ainda clareza exata de como os caminhos se conectariam. Seu cargo era o de Hospitaleiro: o responsável pelos projetos sociais e pelas demandas dos irmãos. Conviveu com jovens que tinham amor ao país no sentido genuíno, de irmandade, de lealdade, de filantropia, de respeito silencioso por todas as formas de crença que não está nos livros mas que se aprende pelo exemplo de quem já pratica.

Coordenou o Natal Solidário: arrecadavam fraldas, comida e presentes para asilos e creches comunitárias. Nos asilos, o objetivo não era entregar coisas e ir embora. Era ficar. Passar o dia inteiro. Ouvir histórias que os idosos guardavam e que ninguém mais tinha paciência ou tempo para ouvir porque o mundo ficou rápido demais. Fazer almoço. Fazer companhia naquele sentido mais simples e ao mesmo tempo mais profundo que a palavra pode ter.

Tem uma tarde específica que João Pedro guarda com uma nitidez que o tempo não desgastou. Estavam num asilo, e havia uma senhora que queria ouvir música. Passaram a tarde inteira com ela ouvindo Nelson Gonçalves, aquelas músicas de rádio antigo que têm o peso específico das coisas que formaram uma geração inteira de brasileiros. Ao final da tarde, a senhora chorou. Abraçou João Pedro com os dois braços. E disse, com a voz que as pessoas têm quando estão muito emocionadas para fingir que não estão, que havia décadas que não escutava aquelas músicas. Que tinha sido um dia muito feliz para ela.

Se uma tarde com música e presença tem o poder de ser o dia mais feliz na vida de alguém há décadas, o que seria possível fazer com mais alcance, mais recursos, mais capacidade de estar em mais lugares ao mesmo tempo?

Por meio dessa organização juvenil, João Pedro conheceu caminhos que o levaram ao Partido Socialista Brasileiro e, com dezoito ou dezenove anos, foi nomeado Secretário Estadual de Comunicação da Juventude do partido. Essa conexão o levou ao estágio no gabinete de um Deputado Estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Após dois anos de estágio, tornou-se assessor.

Aos dezoito anos, entrou para o Rotaract Club BH Leste e depois no Rotary Club BH Leste, tornando-se o mais jovem rotariano do Brasil. Participou de projetos comunitários, ocupou cargos de liderança no clube. O principal aprendizado que o Rotary gravou nele: servir é um verbo que precisa de objeto. Não serve quem apenas fala de servir. Serve quem vai até onde a necessidade está e faz o que precisa ser feito.

18 anos · Assembleia Legislativa de MG

Ia a pé porque não tinha dinheiro de passagem

Trabalhar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais enquanto cursava Direito no período da manhã exigia uma logística que só é possível quando não existe alternativa. João Pedro acordava às quatro e meia da manhã. Estudava de manhã. Depois ia a pé da faculdade até a Assembleia porque não tinha dinheiro para a passagem do ônibus. Trabalhava de tarde e à noite. Saía por volta de meia-noite. Chegava em casa por volta de uma hora da manhã. Acordava às quatro e meia. Era uma rotina que funcionava enquanto funcionava, e parou de funcionar quando as faltas acumuladas fizeram a faculdade reprovar e depois o FIES ser perdido por ter ultrapassado o limite de ausências permitido.

O que aprendeu dentro do Legislativo não estava em nenhum livro de Ciência Política. Aprendeu como o poder funciona no plano das pessoas: as articulações, as emendas parlamentares, os projetos de lei, o que avança e o que não avança, a gramática invisível de um parlamento que quem observa de fora não consegue enxergar com clareza. E aprendeu algo que o incomodou profundamente e que nunca esqueceu: não basta ser bem-intencionado. Não basta ter boas ideias. A política tem uma lógica própria, e quem não a domina fala numa língua que ninguém escuta. Um parlamentar pode ser o mais honesto do mundo e não aprovar nem uma declaração de utilidade pública se não souber articular.

Mas viu também o lado oposto: um deputado pode fazer muito mais do que a lei define formalmente. Pode influenciar prefeitos, vereadores e gestores. Pode dar esperança e ânimo concreto às pessoas. Pode simbolizar algo maior do que um indivíduo. Pode ser o início de algo que vai mudar o Brasil. Essa possibilidade ficou.

20 anos · Escolas públicas da Grande BH

O filho que estava preso injustamente

Aos vinte anos, João Pedro criou o Projeto Cidadania. Nascia da junção de duas experiências que já conduzia: a coordenação jurídica de um projeto de atendimento gratuito a pessoas em situação de rua em Belo Horizonte, onde semanalmente ele e uma equipe de estagiários e advogados atendiam centenas de pessoas com questões jurídicas, emissão de documentos, encaminhamentos sociais e psicológicos; e a coordenação de uma comissão que conectava estudantes de Direito a estágios em escritórios de advocacia e órgãos públicos, que havia cadastrado mais de 800 estudantes e visitado mais de 100 escritórios em toda a região metropolitana.

O Projeto Cidadania levava advogados e voluntários a escolas públicas de bairros vulneráveis da Região Metropolitana de Belo Horizonte para atendimento jurídico, médico e psicológico gratuito. Com o tempo, expandiu para orientação de emprego e obtenção de recursos via emendas parlamentares para reformas em escolas da região. Mais de três mil pessoas foram atendidas em dois anos de funcionamento. São números que têm peso quando se sabe o que está por trás de cada um deles.

O que pesa mais do que qualquer número, porém, é a memória de uma senhora que chegou ao projeto com o rosto da derrota total. Não era uma postura calculada: era um estado real, o estado de quem já foi a todos os lugares possíveis e voltou com as mãos vazias todas as vezes.

Seu filho estava preso. Preso injustamente, ela tinha certeza, com aquela certeza específica de mãe que conhece o filho de dentro para fora e sabe com precisão o que ele é capaz de fazer e o que ele nunca faria. Não tinha dinheiro para contratar advogado. Estava esperando a Defensoria Pública, que funciona com poucos recursos e muita fila e que não chegaria a tempo do jeito que a situação pedia.

João Pedro a escutou. Acreditou nela. E foi buscar ajuda onde poderia encontrá-la: seu professor de Processo Penal, sócio de um escritório criminal renomado em Belo Horizonte. Explicou o caso com todos os detalhes que tinha. Pediu com toda a clareza de quem sabe que não tem outra alternativa a oferecer. O professor se sensibilizou e atuou pro bono, sem cobrar nada, porque às vezes as pessoas que têm o poder de mudar as coisas precisam apenas que alguém vá até elas e faça o pedido certo.

Poucos meses depois, o filho estava solto. Inocente, exatamente como a mãe sabia que era. Quando João Pedro deu a notícia, os olhos dela se encheram de lágrimas daquele jeito específico que acontece quando o alívio é maior do que o corpo sabe como conter.

Ela o abraçava, agradecia e mal conseguia falar porque a alegria havia ocupado todo o espaço. E ali, naquele momento de abraço e de lágrima, a pergunta que havia começado num quintal com pé de goiaba e continuado numa tarde com Nelson Gonçalves encontrou sua formulação mais completa: se algo assim, relativamente simples, uma conversa, um pedido, uma ligação para a pessoa certa, muda a vida inteira de uma família de forma permanente, o que seria possível fazer com mais poder, mais alcance, mais capacidade de intervir onde a necessidade está?

2020 · Belo Horizonte

Construir antes de pedir

Após anos coordenando campanhas para outros candidatos, trabalhando em gabinetes, servindo como assessor jurídico na Câmara Municipal de Belo Horizonte, João Pedro fundou a Communicare, uma agência de comunicação política e marketing eleitoral. Nasceu da junção de tudo que havia acumulado até ali: experiência em campanhas, mandatos, projetos sociais e comunicação política, mais a necessidade prática e concreta de trabalhar depois de deixar o mandato municipal.

O primeiro cliente foi uma chapa de sindicato nacional. Ganharam. O segundo foi outra chapa sindical. Ganharam. Numa segunda disputa, perderam por menos de vinte votos depois da análise de duas urnas, o que é quase ganhar mas é perder, e qualquer profissional de campanha sabe que essa diferença específica tem um sabor que mistura orgulho e frustração numa proporção que é difícil de engolir de uma vez. A empresa foi crescendo: prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, sindicatos de todo o Brasil. Construiu uma expertise única no universo do fisco brasileiro, atendendo direta ou indiretamente quase todos os sindicatos e associações ligadas às Receitas Federal, Estaduais e Municipais do Brasil. A Communicare permitiu a João Pedro estabilizar a vida de forma concreta, sair de Venda Nova, ter a estrutura que uma candidatura séria exige.

Em paralelo, cofundou com um sócio uma startup de inteligência artificial conversacional que foi aprovada num programa de inovação de um município da Grande BH. A empresa tinha clientes e crescimento, até que a tecnologia avançou mais depressa do que o negócio conseguiu acompanhar e o que era inovação tornou-se mercado comum em pouco tempo. A startup foi encerrada. O aprendizado ficou inteiro: sobre empreendedorismo, sobre gestão, sobre o papel que o Estado pode e deve ter para que mais pessoas consigam transformar uma ideia concreta num negócio sem morrer na burocracia.

Em 2023, a Communicare se mudou para um espaço de coworking em Belo Horizonte. Novos amigos, novas perspectivas, novas conversas com empreendedores que inovam, empregam e pensam o futuro de um jeito que a política raramente consegue acompanhar na mesma velocidade. João Pedro observava tudo isso de dentro e carregava para a política o que ia aprendendo.

17 de maio de 2026

A decisão chegou quieta

Há decisões que chegam com barulho ensurdecedor. Semanas de angústia, conversas intermináveis com pessoas de confiança, listas de prós e contras que nunca fecham porque prós e contras não são matematicamente equivalentes quando o que está em jogo é uma vocação. E há decisões que chegam quietas, num domingo de manhã, como se estivessem esperando pacientemente naquele lugar desde sempre e apenas escolhessem aquele momento específico para serem reconhecidas.

A decisão de João Pedro foi do segundo tipo.

Era 17 de maio de 2026. Ele acordou. E antes que o dia tivesse começado de verdade, antes do café e do banho e de qualquer coisa do cotidiano, a certeza estava ali com uma clareza que não precisava de argumentos para se sustentar: era hora de se candidatar a Deputado Federal por Minas Gerais.

Havia um aniversário de amigos à tarde. João Pedro foi. Chegou antes de todo mundo, como tem o hábito de fazer, essa pontualidade que é menos sobre precisão do tempo e mais sobre consideração pelo tempo dos outros. E antes que os demais convidados começassem a chegar, pegou o telefone e ligou para seu amigo e conselheiro, o secretário-geral do partido em Minas Gerais, ex-vereador, ex-candidato a prefeito e a deputado federal, o homem que havia lhe ensinado como a política funciona no plano das pessoas e não apenas no plano das ideias e dos discursos, e que era, entre tudo isso, um dos seus melhores amigos.

João Pedro disse que tinha uma pessoa filiada ao partido que queria ser candidata a Deputado Federal. Jovem. Com experiência comprovada. Com estrutura. Com gana. A chapa estava fechada? Havia espaço?

O amigo disse que poderia conversar com essa pessoa.

João Pedro riu. E disse: essa pessoa sou eu.

Houve um silêncio no telefone. Depois a voz do outro lado: menino. No fundo acho que sabia. Você é muito doido. Vai sair assim, do nada, sem pré-campanha?

João Pedro confirmou que sim.

A resposta veio com a generosidade de quem reconhece a doença de alguém porque já teve a mesma: então vamos dar um jeito. Seu nome na chapa deixa comigo.

Ao final daquele domingo, após uma série de ligações, cerca de setenta pessoas estavam mobilizadas e apoiando o projeto. O Rubicão estava atravessado, e do outro lado não existe retorno. Existe apenas a estrada que continua.
João Pedro Reis hoje, candidato a Deputado Federal por Minas Gerais, número 4026
De Venda Nova ao Congresso

Tudo isso foi construído antes de pedir o voto.

1997

Nasceu em Venda Nova, num beco sem saída, e aprendeu cedo que dignidade não depende de CEP.

2008

Mudou-se para São Miguel do Anta, na Zona da Mata, e descobriu que Minas Gerais é feita de muitas Minas.

2012

Aos 14 anos, organizou o primeiro abaixo-assinado e viu a vizinhança transformar reclamação em obra.

2015

Entrou no movimento estudantil, no Rotary e na política partidária, construindo método e rede.

2017

Fundou o Projeto Cidadania e levou acesso a direitos para mais de 3.000 pessoas.

2020

Criou a Communicare, empresa de comunicação política, e aprendeu a gerir do zero com folha e imposto.

2026

Decidiu disputar uma das 53 vagas de Minas na Câmara dos Deputados, número 4026, PSB.

Minas precisa de representante. Não de mais um.